terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

É proibido proibir as Redes Sociais nas empresas

Meu twitter é: http://www.twitter.com/mardelcardoso



Um líder olha para o lado e vê aquele funcionário conversando pelo MSN com outro colega e logo pensa: “Preciso bloquear isso na empresa!”. De fato, se olharmos apenas para um lado, o MSN pode até tirar um pouco a produtividade dos profissionais, paralisando a atividade deles para trocar piadinhas sobre o chefe, enviar dicas de jogos e até receber links daquela mulher fantástica! Mas você pode resolver isso estabelecendo uma política de rastreio das mensagens indesejáveis que circulam internamente por ele. Só de mencionar esta idéia os funcionários com certeza terão mais cuidado com o que digitam. Mas visto por outro lado o MSN também traz alguns benefícios: agilidade nas comunicações internas e externas, dicas para aquela ferramenta freeware útil para o trabalho interno da empresa, dicas de links para novas idéias para aquela campanha publicitária e etc. Todos os líderes já pensaram em algum momento coibir a comunicação externa pela internet dos seus funcionários. É melhor estudar mais o assunto antes de cometer este crime.

O mundo mudou radicalmente, e estamos diante de uma nova forma de gerir as empresas e as pessoas. Os jovens que se formam hoje já vêm para o mercado com DNA digital. Ou seja, quase todos eles têm uma visão de mundo dentro da internet, como buscar informações ou se apoiar em estratégias rápidas para solucionar problemas usando a web como ferramenta. É como se eles tivessem nascido com a internet debaixo do braço. O comportamento desta nova geração que está chegando ao mercado de trabalho também vem com um comportamento diferente. Eles aderem radicalmente a ondas, modas ou idéias malucas com uma facilidade incrível. Lembram da idéia de andar no metrô apenas com as roupas de baixo? Posso citar aqui dezenas de outras que apareceram há pouco tempo. É como se eles precisassem que uma nova revolução nascesse todos os dias. Cabe aos líderes abrir espaço para algumas destas “revoluções de um dia só”, mas procurando ter pulso para que eles assumam a devida responsabilidade pelas consequências. Antes que as empresas pensem em estudar ou bloquear o uso do Twitter, é bem provavel que ele já seja uma ferramenta comum na empresa. Por isso sua empresa já pode estar refém desta situação. Está na hora de você correr para não ficar para trás.

Desde o início do ano passado as redes sociais caíram nas graças do mercado de internet brasileiro. O Brasil já se tornou um campo de testes ideal para novas ferramentas e tecnologias de redes sociais. Depois do crescimento do orkut, veio o Facebook crescendo em larga escala, e logo depois o twitter em um ritmo bem mais acelerado. A história do índice de crescimento no uso do MSN, Orkut e até o Facebook não chegam perto do que está acontecendo. Até junho do ano passado apenas 15% do mercado, estava conectado no “Twitter”. Ele já havia crescido 70% nos meses anteriores. Para se ter uma noção, até junho de 2009 apenas 2% dos usuários do serviço vinha do Brasil. Agora respondemos por 8,8%, ou o segundo maior mercado de uso da ferramenta no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (segundo estudo da Sysomos, divulgado pela revista IDGNow). Isso significa que ultrapassamos mais de 9 milhões de usuários do serviço no Brasil, um crescimento espetacular chegando quase a 25% dos internautas brasileiros. Isso significa que é natural esperar que o índice de uso cresça quase na totalidade do mercado de usuários da internet no Brasil e no mundo. E por isso mesmo, as empresas precisam olhar para as redes sociais como a ferramenta web de 2010. As redes sociais na internet representam mais uma oportunidade de negócios para um empreendedor ou empresa. E são justamente o uso destas novidades que podem fazer uma empresa ser mais atraente que outra. Mas o que fazer então?

Primeiro jamais pense em bloquear ou limitar o uso do Twitter na empresa. Se você fizer isso você quase que estará bloqueando o acesso à internet. Imagine os prejuízos que isso pode causar! Você estará fechando os olhos e o futuro da sua empresa. Seus profissionais precisam de informação para continuar evoluindo ou simplesmente ajudar seu negócio a permanecer no mercado. O Twitter é uma imensa ferramenta, muito poderosa em todos os sentidos. É preciso montar uma estratégia que abranda a divulgação de informações internas, externas até o marketing virtual.

No caso das informações internas você pode estabelecer um perfil geral por departamento e analisar se isso precisa ser privativo ou não. No caso de novas propostas ou informações externas você pode ou criar novos perfis para cada uma ou estabelecer um perfil por produto. Tudo vai depender do objetivo. O fato é que você deve pensar o que pode sair ou não sobre a empresa na internet de origem interna. As lideranças devem conversar com suas equipes internas e estabelecer uma política. Cuidado ao postar mensagens! É preciso lembrar que as redes sociais divagam notícias muito mais rapidamente que qualquer spam ou marketing pela TV. As pessoas em geral talvez não fiquem 8 horas por dia ligadas na TV, mas estarão muito mais conectadas daqui para frente na internet do que antes. E isso significa que uma mensagem mal colocada pode chegar a milhões de usuários em questão de minutos. Por isso a equipe interna deve pensar bastante se vale a pena ter algum acompanhamento interno para aquele perfil estratégico. Tudo deve ser analisado caso a caso.

No caso do marketing virtual através das redes sociais ofereça um benefício para seu cliente ter interesse em acompanhá-lo pela internet, seja pelo Facebook ou pelo twitter. Cada ramo de negócio vai exigir uma estratégia diferente, desde fornecer informações e dicas importantes até descontos em produtos aos seguidores. A qualidade e a necessidade das mensagens vai definir se seu cliente vai ou não segui-lo. Estabeleça uma frequência de divulgação das informações de forma que seu cliente se acostume com elas, mas assuma isso como definitivo, pois ele vai te cobrar se notar que as informações não estão mais chegando.

Não é fácil para as empresas e para seus líderes acompanhar as novidades com a velocidade que elas ocorrem hoje. Com certeza proibir o acesso às redes sociais não será a solução, será sua pior alternativa. Censurar a busca de novos caminhos vai limitar sua busca pelo crescimento e pelas inovações.

Por Márdel Vinicius de Faria Cardoso: tem 43 anos. É Bacharel em Ciência da Computação pela PUC-MG. Pós-Graduado no MIT-Master Information Tecnology pela FIAP-SP. Tem mais de 23 anos de experiência em empresas de tecnologia de Belo Horizonte, Brasília e São Paulo atuando como analista de sistemas e suporte, gerente de sistemas, gerente de projetos e empresário. Foi palestrante em vários eventos e articulista em revistas, jornais e portais pelo Brasil. Diretor e fundador do Portal B2b Mercosul Search, criado em 1996 e Top 5 no IBEST 2001 a 2003. Foi professor de Linguagens para Web e E-Marketing da Fasp/Ceinter, Eniac e Fiap e hoje leciona Gestão de Projetos na Uninove em São Paulo. Autor dos livros “Desenvolvimento Web para o Ensino Superior” pela Axcel Books do Brasil em 2004 e “Programação Web para o Ensino Superior” pelo Clube dos Autores e “A Um Passo de Mim” em 2009.

8 comentários:

  1. Marcel, vc conhece algum case real de emprsa brasileira que usa redes sociais para o desenvolvimento de pessoas de uma forma estruturada?
    Existe muito material hoje que comentar as redes com a finalidade de marketing para o consumidor final. Mas para desenvolvimento profissional estimulado pelo empregador, só cases internacionais (em geral, empresas de tecnologia - IBM, Oracle/Sun, MIcrosoft, etc...)

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  2. Muito bem comentado Julio, a princípio esse texto é uma utopia. Trabalho na gestão da rede de uma multinacional e esta "liberação" tem que ser feita a dedo, saber quem irá realmente usar para aumentar a produtividade. Já fiz um teste aqui e afirmo que não deu certo e nunca dará, 80% usa essas redes para passar o tempo e nâo para trabalhar.

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  3. Olá Márdel!
    Já dizia um grande comunicador:
    "Quem não se comunica se trumbica".
    E ainda tem gente que acredita que "comunicação "empresarial"só diz respeito aquilo que é falado do "chefe" para os seu comandados,e quando é ao contrario..,além de muitos nem terem noçao do que significam as redes socias, acabam com a mais rapida forma de comunicação interna e externa.
    hoje alguns juízes, até medicos usam o tradicional torpedo...em seu trabalho!
    Mas muitos terão que passar pelo " médico" ou pelo "juiz" para entederem a útil e urgente necessidade de outras formas de comunicação sem
    deixarem de serem "tomés da vida empresarial!
    sucesso e parabens!
    Giovanni Sandor São Paulo

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  4. Antes de mais, queria parabenizar pela ousadia de abordar um assunto que, como pode ser visto pelos comentários, ainda é tido como "utópico" ou pelo menos inaplicável nas empresas do Brasil.

    Eu trabalho com Social Branding Outsourcing, i.e., terceirização de geração de conteúdo, administração de perfis em redes sociais e alimentação de canais de notícias e blogs corporativos, e passei apenas para lhes deixar a minha sensibilidade quanto ao assunto.

    Em primeiro lugar, falar de presença em redes sociais, seja para pessoa fisica ou juridica, remete-nos para um conceito bem mais antigo do que a recente massificação dos Twitter, Facebook, orkuts e afins: o Branding.

    Este é o grande déficit que temos encontrado nos nossos contatos e clientes. Mais do que ações de marketing viral e promocional, a presença nas redes por parte das empresas deve ser considerada em termos de fixação de marca e consolidadção de relacionamento com clientes.

    A construção de uma marca sólida é um processo ininterrupto, demorado e extremamente volátil, e isso vale também para a nossa Marca Pessoal - algo que se fosse levado a sério pela maioria dos internautas com certeza mudaria o perfil das postagens, comentários e outros absurdos que vemos por aí disseminados.

    Por isso, sem me alongar mais, antes das politicas de utilização corporativas (existema até segmentos de negócio que NÃO devem estar presentes nas redes), o primeiro passo que qualquer empresa deve facilitar aos seus colaboradores é a conscientização do que é Marca Pessoal, incluindo principios éticos, conduta e cuidados a ter com o que se diz nas redes, bem como dos impactos para o seu crescimento pessoal e profissional.

    Em suma, o que vemos nas redes nada mais é do que uma extensão do que somos na vida real - empresas e pessoas. Se a empresa for coerente e de confiança, sem dúvida que deve procurar estar presente neste novo Universo Digital, sem grandes receios - e a terceirização pode ser uma opção com beneficios óbvios.

    Agora, se for "picareta"....

    Continuação de um ótimo trabalho.

    @TSSVeloso

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Primeiramente agradeço os comentários. Toda opinião é bem vinda. É importante promover a troca de informação entre as empresas para que o mercado em geral possa absorver e entender as novidades e conhecer os cases de sucesso. Há pouco mais de um ano as empresas voltaram seus olhos para este mercado. Pretendo lançar em meus próximos artigos alguns cases de sucesso analisando alguns dos resultados alcançados.

    Discordo do que falou o DJ Marcio Weiss de que isso nunca dará certo. Para implementar qualquer projeto primeiro a diretoria e presidência de uma empresa deve apoiar abertamente este tipo de iniciativa, entender claramente os benefícios que este tipo de iniciativa vai trazer e o natural comportamento das gerações atuais. Ela deve inicialmente trazer o conhecimento geral sobre as tecnologias e estratégias internas atraves de treinamento/palestras, e posteriormente promover uma discussão interna sobre o assunto. Todos devem ter a mesma visão e responsabilidade sobre seu trabalho interno. A montagem de um plano piloto ou implantação por departamento pode ser interessante, medindo os retornos alcançados e medindo as vantagens e desvantagens de se adotar uma ou outra estratégia. Mas tudo vai depender do objetivo de cada iniciativa.

    É importante compreender o status do comportamento atual das novas gerações (a chamada geração Y). Não existe uma solução única que se aplique a todas as empresas. Cada empresa e cada modelo de negócio exigirá uma estratégia diferente, algumas podem até serem parecidas, mas em geral tudo deve ser feito com cuidado. A parte tecnológica é a parte mais fácil disso tudo. A política de uso deve ser 1 para 1.

    As pessoas mudaram, a forma de executar seu trabalho e encarar os desafios também. Caso as empresas fechem seus olhos para estas oportunidades e necessidades correm o risco de obter baixa produtividade interna ou desestímulo, não entender ou não medir as opiniões dadas pelo cliente sobre seu produto ou serviço.

    Em minha palestra de Redes Sociais abordo o histórico, desde a origem do pensamento e montagem de modelos matemáticos seculares, como a ação e a tecnologia envolvida no comportamento em redes sociais, até dicas para implementação de soluções empresariais. Mas o principal, fora do assunto de qual ambiente ou qual software é o melhor.... é entender a complexidade que a estratégia, a política e necessidade do uso das redes sociais exige.

    Já foram criados pelo mercado plataformas especiais para gestão do conhecimento em redes sociais e existem vários cases de sucesso no mercado implantado em bancos, fundações e etc. Se a empresa desejar posso atuar em parceria na implementação de soluções internas.

    Eu acho que estamos no início de um processo irreversível de mudanças tanto comportamentais quanto sociais. Em geral temos alguma restrição para novidades, mas o próprio mercado nos força a seguir em frente.

    Um grande abraço e obrigado

    Márdel Cardoso
    mardelcardoso@hotmail.com
    5 de fevereiro de 2010 09:10

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  7. Gostei. Tem razão em grande parte do texto. Porém vale lembrar que não só os líderes coibem diretamente o acesso a essas tecnologias mas a imposição de metas, trabalhos, índices de eficiência, prazos também coibem pela falta de tempo o uso de várias tecnologias.
    Um abraço. Thiago Rosa.

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  8. Marcel, muito instrutiva sua materia. Eu nao curto usar MSN, reluto demais em casa. No trabalho... se usei, talvez conte nos dedos e com certeza foi por alguma necessidade. Reparo que o MSN tirar nossa atenção do que estamos fazendo. Em casa eu não tenho tanto tempo assim, quando uso o MSN eu não consigo fazer mais nada. Então, sempre está off.

    Obrigada por tudo que vc veio a informar.

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